Informática, tecnologia e bugs na cabeça.
A OI Velox está de olho em você
Li essa semana uma matéria na Revista Época sobre a adoção de um software de vigilância pelo provedor Oi Velox. Como um usuário do serviço e cidadão consciente dos meus direitos, resolvi publicar a matéria no blog para que um número maior de usuários deste provedor estejam cientes de que podem estar sendo vigiados.
A operadora Oi adotou um programa que rastreia tudo o que seus clientes de banda larga fazem na internet. Por que isso é uma ameaça para nós. Existe um programa de computador que registra tudo o que você faz na internet. Acionado, ele sabe que você entrou no Orkut, digitou o nome de uma ex-namorada no campo de busca, depois visitou o perfil dos amigos dela. Também viu que entrou num site de vendas e procurou uma nova torradeira. Anotou as opções que você comparou. Acompanhou sua visita ao site do banco para consultar o saldo. Seguiu seus passos no site de e-mail enquanto você abria cada mensagem. Viu que você entrou no Facebook. E quando você clicou num vídeo divertido que alguém recomendou. Esse programa anota quanto tempo você gastou em cada uma dessas atividades. E transmite toda essa informação a uma empresa que analisa seu comportamento e o classifica de acordo com algum rótulo. Soa amedrontador? Pois é real. Esse tipo de invasão de privacidade ameaça os internautas brasileiros.
A sequência acima, de rastreamento da navegação na internet, descreve o serviço oferecido pela empresa inglesa Phorm. Ela está chegando ao Brasil. Seu principal cliente aqui é o provedor de internet Velox, serviço oferecido no Rio de Janeiro pela operadora de telecomunicações Oi. A Oi está testando aqui uma versão do programa da Phorm chamada Navegador. É uma tecnologia que está longe de ser aceita no mundo. Desde 2002, quando foi criada pela Phorm, ela tem gerado controvérsia internacional e levantado preocupações em grupos ligados à defesa dos direitos civis na internet. Essas resistências dificultaram sua adoção nos Estados Unidos e na Europa. Há o temor de que as informações pessoais sejam usadas de forma indevida. É evidente que uma empresa telefônica não pode grampear suas linhas. Por que, afinal, seu provedor de internet teria direito de saber o que você faz na rede? Um programa espião ameaça nossa liberdade?
Sua chegada foi discreta no Brasil. A primeira rodada de testes com o Navegador foi anunciada em março pela Oi, dona do provedor de banda larga Velox e do portal iG. De acordo com a Oi, ele começou a ser oferecido a internautas do Rio de Janeiro. A intenção da Oi é expandir aos usuários de todo o Estado até o final de 2010. O Navegador é um rastreador remoto (não fica instalado na máquina do usuário) dos passos que um internauta dá na rede. No início dos testes, Oi e Phorm anunciaram uma parceria com os portais Terra, UOL e Estadão. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do Grupo Estado afirmou que “a parceria nunca existiu e o nome da empresa foi usado à revelia”. A Oi confirmou a parceria com UOL e Terra.
O objetivo do Navegador é detectar as preferências de quem navega na rede. A promessa da Oi é oferecer ao usuário uma navegação personalizada. Quem é torcedor do Flamengo passaria a ter automaticamente na tela do computador mais informações sobre o time. “Uma página será apresentada aos clientes para que decidam se desejam ativar a ferramenta”, diz a Oi. “A escolha e decisão é do cliente.” Oi e Phorm também afirmam que a tecnologia do rastreador traça o perfil dos usuários sem identificá-los. Isso seria possível graças a um recurso técnico. Assim que um internauta se conecta à web, imediatamente o Navegador associa a ele um número aleatório. É esse número interno – e não um nome público ou um endereço fixo na internet (conhecido tecnicamente como IP) – que a Phorm usa no rastreamento. “Nenhum dado pessoal, histórico de navegação ou endereço IP é armazenado pela ferramenta”, informou a Oi. “O sistema não rastreia e-mails, salas de bate-papo e páginas seguras, como sites de banco.”
O programa da Phorm também permite que o provedor de acesso mostre, a cada usuário, anúncios específicos, de acordo com seus interesses pessoais. Sites que tenham acordo com o provedor poderiam vender anúncios prometendo veiculá-los a internautas cujo perfil fosse mais interessante ao anunciante. Tal sistema é apresentado como um modo de aumentar a receita de provedores e sites de conteúdo. Só que, além de invasivo, ele pode representar uma concentração de poder nas mãos de uma empresa cuja missão deveria ser prover acesso de forma indistinta – sem discriminar o conteúdo ou publicidade que trafega em sua rede. Numa comparação com outro setor, a situação seria equivalente a uma empresa de eletricidade receber dinheiro cada vez que você ligasse uma determinada marca de eletrodoméstico na tomada.
Fonte: Revista Época.
| Este artigo foi escrito por pliniotorres em 9 de junho de 2010 às 10:31, e está arquivado em segurança, Web. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |

há 1 ano atrás
Alguém sabe me dizer se este programa é multiplataforma, ou só roda em Windows?
há 1 ano atrás
Eu acho isso uma absurdo. Se os consumidores fosse tentar obter informações sobre as empresas, ele falariam que era ilegal e que era contra o direito a propriedade intelectual..
Mas eles pode obter informações da gente sem nem perguntar. Não gosto disso que eles fazem. Isso ajuda ainda mais a eles nos manipularem a colocar estas publicidades em cima da gente para nos infernizar….
há 1 ano atrás
Bem, eu já desconfiava disso a muito tempo, no meu caso e no caso de clientes meus eu NUNCA instalo aquela porcaria de discador/autenticador do velox, justamente para não ter isso. Utilizando a própria configuração de ppoe do windows acredito me livrar disso. Ou então a microsoft está com uma baita falha de privacidade e segurança permitindo um computador instalar e executar um programa em nosso computador sem o nosso consentimento.
E Utilizando sistemas como Linux aí é que eles se dão mal mesmo, não vão pegar é nada.
[]‘s
há 1 ano atrás
A Oi não consegue identificar seus usuários na rede, ou o suporte seria muito fácil…
O acesso ao no sinal do cliente muito limitado é possível apenas identificar os parâmetros e a velocidade cadastrada na rede e nada mais que isso.
Quanto ao navegador segundo um documento que circulou dentro da operação Velox, cada navegador recebe um ip que é alterado a cada loguin do cliente, não é salva nenhuma informação do cliente…
Não estou defendendo a OI que temos de concordar ser uma “merda”, mas daí a dizer que a OI vigia o cliente Acho um pouco exagerado já que a OI não consegue vigiar seus próprios funcionários!!
há 1 ano atrás
O google já faz isso a muito tempo!!!
há 1 ano atrás
Amigos, não sei se é verdade o conteúdo abaixo, porém em um País de 3º Mundo e de FDP’s como o nosso tudo é possível, então é bom ficarem atentos, se afinal “não podemos mais ficar sem internet hoje” a nossa privacidade foi para o chamado saco !!! será que é o preço que temos que pagar pela modernidade ?????????
há 4 meses atrás
e tem algum jeito de desconectar isso tipo meu provedor de internet rastrea tudo do meu pc eu posso desconectar ele?