Informática, tecnologia e bugs na cabeça.
Artigos com o marcador governo
Senado volta a discutir regulamentação de profissional da informática
13/07/10
Você é a favor ou contra a idéia de que um profissional de informática precisar ser regulamentado para poder atuar no mercado, como um advogado ou um administrador?
O projeto de lei que regulamenta as profissões de analista de sistemas (nível superior) e técnico em informática (nível médio) está na pauta da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que se reúne nesta terça, 13/07.
Se a comissão confirmar a aprovação do texto em decisão terminativa, ele será enviado diretamente à Câmara dos Deputados.
Mas falta consenso com relação à proposta. Em audiência pública realizada pelo Senado no final de 2008, os participantes se dividiram entre os que defendem a regulamentação e os que são contra a iniciativa. Para os que são contra, o projeto criaria uma reserva de mercado, impedindo assim a colaboração de profissionais de outras áreas. Eles também argumentam que o controle da profissão deveria ser feito a partir da qualidade do produto.
O projeto (PLS 607/07) foi apresentado pelo então senador Expedito Júnior, em 2007. Na ocasião, Expedito ressaltou que o texto proposto por ele foi inspirado em outro projeto de lei: o PL 1.947/03, que acabou sendo arquivado, de autoria do ex-deputado federal Eduardo Paes (hoje prefeito do Rio de Janeiro).
A proposta – já aprovada em primeiro turno pela Comissão de Assuntos Sociais – determina que podem exercer a profissão de analista de sistemas quem possuir diploma de análise de sistemas, ciência da computação, processamento de dados ou engenharia de software (este último incluído item por emenda apresentada na própria Comissão de Assuntos Sociais). Também estariam autorizados aqueles que tenham exercido a profissão comprovadamente por pelo menos cinco anos e aqueles que tiverem se graduado no exterior e revalidarem seus diplomas no Brasil.
Quanto à profissão de técnico em informática, a proposta determina que podem exercê-la quem fez curso técnico de informática ou de programação de computadores (em nível de ensino médio ou equivalente) e quem já tenha exercido essa profissão, comprovadamente, por pelo menos quatro anos.
O texto determina ainda que "é privativa de analista de sistemas a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios e pareceres técnicos".
O projeto também estabelece a jornada de trabalho de 40 horas semanais, "facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho". Para os profissionais que exercem atividades em que há "esforço repetitivo", a jornada será de 20 horas semanais, que não podem exceder a cinco horas diárias, incluído um descanso de 15 minutos. O relator da matéria é o senador Raimundo Colombo (DEM-SC).
Antes de chegar à Comissão de Assuntos Sociais, a matéria foi modificada por outras duas comissões do Senado: primeiramente pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e, em seguida, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Uma das principais alterações foi a retirada dos dispositivos que previam a criação de conselhos federais e regionais para o setor.Os relatores na CCT e na CCJ argumentaram que esses conselhos só podem ser criados pelo presidente da República, e não pelo Congresso. O relatório do senador Raimundo Colombo acata essas modificações – além daquelas propostas na própria Comissão de Assuntos Sociais.
Fonte: Convergência Digital
Governo quer controlar blogs brasileiros
09/07/10
Está em trâmite no Congresso Federal um projeto de lei que pretende regular as atividades nos blogs brasileiros.
O projeto de lei de número 7.131, apresentado no dia 14 de abril pelo deputado federal Gerson Peres (PP-PA) prevê por exemplo que os autores dos blogs sejam obrigados a moderar os comentários e ainda se resposabilizarem pelos comentários anônimos, podendo gerar multas de até R$ 10.000,00 para os donos de blogs que não concordarem com as novas regras.
Além disso, o projeto de lei ainda impõe que todos os blogs brasileiros sejam registrados no Registro.BR, havendo a necessidade de informar os seus dados pessoais, RG e CPF.
A proposta argumenta que as medidas são necessárias devido a possibilidade de difusão de calúnias, injúrias e difamações por meio dos blogs e a regularização tentaria reduzir esses impactos.
Veja os principais pontos abaixo:
Art. 2º Os proprietários, editores, mantenedores e autores de blogues, fóruns e demais sítios com funcionalidades semelhantes, são responsáveis pelo conteúdo dos comentários oriundos de usuários anônimos ou que não sejam passíveis de identificação.
Art. 3º As mensagens que contenham crimes contra a honra – calúnia, injúria e difamação – das pessoas serão de responsabilidade dos editores, proprietários e autores dos blogues, fóruns, e demais sítios de Internet com funcionalidades semelhantes, no caso de a mensagem contendo o crime contra a honra não permitir a identificação do autor.
§2º Todos os blogues, fóruns, e demais sítios de Internet com funcionalidades semelhantes, são obrigados a instituir mecanismo de moderação de comentários.
Art. 4º Todos os blogues, fóruns, e demais sítios de Internet com funcionalidades semelhantes, são obrigados a procederem ao
registro com o nome completo, CPF e identidade de seu proprietário no sítio governamental Registro.BR.
Art. 5º O Poder Judiciário aplicará multa de dois a dez mil reais ao proprietário do blogue, fórum, e demais sítios de Internet com
funcionalidades semelhantes, que estejam em desconformidade com os dispositivos desta Lei.
Neste link o projeto de lei na íntegra.
Fonte: Lovato
Governo promete, mas banda larga continua cara
29/10/08
Durante o discurso de abertura da Futurecom 2008 (28/11), o ministro das comunicações Hélio Costa voltou a criticar o preço e a qualidade das conexões no País e disse que governo estuda promover na banda larga uma mudança semelhante ao que fez no programa PC para Todos, que derrubou o custo dos desktops de mais de 4 mil reais para menos de 800 reais.
A iniciativa, segundo o ministro, beneficiará mais 37 mil estudantes, 87% dos alunos. Da mesma forma, Hélio Costa informou que está na Anatel, sob encomenda do governo, um estudo voltado a iniciativas que derrubem os preços das conexões à internet no Brasil. A idéia é criar, a partir desta análise, uma forma de incentivo, materializada em redução de impostos.
“O acesso à internet em banda larga ainda é muito caro no Brasil, e precisamos buscar alternativas para mudar esta realidade, juntamente com a promoção da qualidade nesta área”, disse o ministro.
Como ação concreta, Costa afirmou que, até 2009, quer ver licitadas as freqüências de WiMax e DTH (Direct to home), tecnologias que devem estimular a competição nas áreas de telefonia e banda larga e em trasmissão de TV, respectivamente.
No discurso, ele diz: “Temos mais 135 milhões de celulares em uso. Até 2010 todos os municípios serão atendidos por celular e infra-estrutura de acesso a banda larga”, comentou, ao lembrar os mais de 10 milhões de acesso em banda larga no País.
O ministro também comentou que nos últimos 10 anos foram investidos 150 bilhões de reais no setor de telecom, aporte que permitiu a evolução do acesso à telefonia, especialmente celular e internet. “Em 2007, tínhamos 20,4% dos municípios com acesso à internet e 27% da população com acesso a computador, graças ao Programa PC para Todos, que derrubou de mais de 4 mil reais para menos de 800 reais o preço dos PCs”, comemorou.
Segundo o ministro, a Anatel calcula que nos próximos 10 anos, ainda serão investidos 250 bilhões de reais em todos os serviços de telecomunicações, com ênfase em banda larga fixa, telefonia móvel e televisão, o que deve permitir um salto das atuais 10 milhões e conexões em banda larga para 40 milhões. No mesmo período, os 135 milhões de telefones celulares de hoje serão 270 milhões, de acordo com a mesma estimativa.
Enquanto as promessas continuam sendo feitas, as cias de telecomunicações faturam bilhões e nós pagamos uma das bandas largas mais caras do mundo. Você mora em grandes capitais e acha um absurdo pagar R$100,00 por uma conexão de 2MB? Pois venha para o interior do país e pague R$89,00 por 300kb e ganhe uma vela para acender e rezar toda vez que sua conexão morrer.
Além do preço absurdo que pagamos para ter a internet, não podemos nos esquecer também dos pobres provedores que precisam arrecadar suas taxas para realizar o árduo trabalho de… de… de… pra que serve o provedor mesmo? Convenhamos meus amigos, provedor é do tempo da internet discada!
O homem que peitou a Microsoft
18/07/08
Entrevistado para a reportagem “O Pingüim avança”, publicada em março pela revista CartaCapital, Sérgio Amadeu afirmou que a Microsoft adota a “prática de traficante” ao oferecer a governos softwares grátis para a inclusão digital. Ele também afirmou que a empresa utiliza “a estratégia do medo, da incerteza e da dúvida”. Em resposta, a Microsoft foi à Justiça cobrar explicações de Amadeu, que deveria se manifestar em 48 horas. O pedido qualificava de “absurdas e delituosas” as declarações do presidente do ITI, e corresponderiam a “delito de difamação”. Segundo o diretor de Assuntos Jurídicos e Corporativos da Microsoft, Rinaldo Zangirolami, não se tratava de processo ou “retaliação”.
Como conseqüência do pedido de explicações, Amadeu recebeu diversas manifestações de apoio de personalidade ligadas à comunidade do software livre, entre elas, um abaixo-assinado on-line que, em apenas três semanas, reuniu mais de 10 mil assinaturas.
O prazo estabelecido pela Justiça Federal para Amadeu se manifestar acabou dia 15 de junho, sem que o presidente do ITI se pronunciasse oficialmente. Ele se limitou a divulgar uma nota oficial afirmando que “em atenção às demandas da imprensa nacional e internacional, que se solidariza com o governo brasileiro nesse momento sem precedentes na história, em que o dirigente de uma importante instituição pública deste País sofre pessoalmente a ação daqueles interessados em manter um modelo hegemônico, venho, após ouvir meus advogados e procuradores federais, dizer que a provocação judicial movida contra minha pessoa é, por si só, tão inusitada e descabida que não merece resposta.”
A Microsoft acabou desistindo de dar prosseguimento ao caso. Um dia após o término do tempo para a formalização de um processo contra Amadeu, a empresa divulgou nota oficial afirmando ter um “comprometimento de longo prazo com o País”. Ainda de acordo com a nota, a Microsoft afirma estar instalada há mais de 14 anos em terras tupiniquins, mantém 45 mil empregos, paga R$ 1 bilhão em impostos e “sabe que o Brasil tem liberdade para escolher a melhor tecnologia para as suas necessidades”.
Em entrevista a Revista Geek deste mês, Sérgio Amadeu conta como peitou a Microsoft ao comparar sua política comercial com tráfico de drogas.
Com a missão de ajudar o governo federal a implantar o software livre, o presidente do ITI foi interpelado judicialmente pela Microsoft ao comparar o método de negócios da empresa com o modo de ação de traficantes. Ex-comunista, fã de Pink Floyd e Chico Buarque, Sérgio Amadeu da Silveira é o diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão vinculado à Casa Civil da Presidência. Divorciado, 43 anos, ele tem uma filha de 16, é filiado ao PT e já militou no MR-8. Sociólogo formado pela USP, sua tese de mestrado aborda o controle do Estado sobre a Internet. Foi professor da Faculdade Cásper Líbero e é autor de um livro sobre inclusão digital. Entre 2001 e 2003, implantou e coordenou o governo eletrônico da prefeitura de São Paulo. Antes de participar de uma palestra sobre software livre na Cidade Universitária, em São Paulo, Amadeu conversou com a Geek sobre pingüins, rock ’n’ roll, inclusão social e direito autoral, entre outros temas.
Geek – Depois daquele pedido de explicações na Justiça, o senhor acabou virando uma espécie de inimigo número 1 da Microsoft?
Amadeu – Não (enfático). Aquele episódio mostra que uma empresa erra. Uma empresa gigantesca, mundial, tentou, me parece, fazer uma ação de intimidação que gerou um resultado adverso. Agora eles mudaram a tática. Mas eu não me importo. O software livre é uma proposta que independe de governo e de grandes empresas.
Geek – Sua crítica foi quanto ao modelo de negócios da Microsoft?
Amadeu – A maior crítica é que eles não nos deixam trabalhar. Não tenho nada contra a empresa, eles deveriam continuar fazendo o trabalho deles. Agora, o governo fez uma opção que é clara, pela diversidade, pela possibilidade de ter mais empresas nessa área, de usar software livre. Eles são a única empresa grande que enfrenta essa opção. Enfrenta politicamente. A empresa era um monopólio absoluto até há pouco tempo, mas essa situação não vai perdurar, ela vai acabar um dia.
Geek – Qual foi sua reação às manifestações de apoio contra o pedido de explicações da Microsoft?
Amadeu – A comunidade fez um trabalho que está acostumada a fazer para desenvolver software, que é agir em rede, compartilhadamente. Recebi sugestões de defesa jurídica de gente dos EUA, da Europa. A comunidade foi fundamental para que a Microsoft caísse na real. Eles perceberam que tinham cometido um erro. Eles não devem levar muito a sério a estratégia deles de medo, incerteza e dúvida. Porque não é todo mundo que tem medo, não é todo mundo que tem incerteza, não é todo mundo que tem dúvida. Uma das coisas mais chatas que existem é quando o poder quer se perpetuar no poder, o monopólio quer se perpetuar monopólio.
Geek – A Microsoft realmente opera com métodos de traficante?
Amadeu – Deixa eu contextualizar o que aconteceu. Estava explicando para a jornalista da CartaCapital a tese do aprisionamento, que é uma tese de economia da informação. O
tráfico é um bom exemplo para explicar como se aprisiona as coisas, mas dentro dessa idéia de como funciona a economia da informação. É claro que fica mais fácil alguém dizer que é uma tática de traficante, mas você precisa ver que eu estou discutindo um contexto específico. Já quando veio o processo, a intimidação e a agressão foram tão grandes que eu achei que não devia dar nenhuma explicação.
Geek – Pensando em seu passado político, é possível estabelecer alguma ligação entre o software livre e a idéia socialista?
Amadeu – Não, o software livre tem mais a ver com a idéia de liberdade. Interessante essa pergunta porque o software livre tem os princípios de colaboração, de compartilhamento, mas a força dele é a liberdade de alterar, de mudar, que está mais na chave liberal do que na chave socialista. Na sociedade da informação, podemos notar que existe uma possibilidade de compartilhar com liberdade, juntando questões como liberdade e solidariedade.
Geek – De onde veio o contato com o software livre?
Amadeu – Durante o mestrado investiguei se a Internet realmente desorganizava os controles estatais. Vários teóricos, como Nicholas Negroponte, diziam que agora o mundo era de liberdade total, mas eu concluí que quem controla a infra-estrutura da Internet pode controlar a rede. Foi aí que tive contato com as idéias da Free Software Foundation. Antes disso, nunca tinha usado o software livre.
Geek – Como foi usar o software livre na implantação dos telecentros em São Paulo?
Amadeu – Quando a gente foi tentar fazer essa rede, o pessoal espalhou o medo, a incerteza e a dúvida, dizendo que seria uma crise, que as pessoas não saberiam usar, que não teria como dar suporte. Todos os mitos foram quebrados. Diziam que o novo usuário não saberia abrir o disquete na casa da tia e que o arquivo da escola não abriria no computador do telecentro. Todos esses mitos foram destruídos pela prática. Quem freqüentava o telecentro aprendia as funcionalidades do software. Aprendia que um editor de texto tem um “salvar o documento”. Se o “salvar” está no ícone da direita ou da esquerda, não importa.
Geek – Foi definida alguma norma que obrigue o governo federal a usar software livre? Vai existir algo nesse sentido?
Amadeu – Não há nenhuma norma dizendo que é preciso implementar, mas há um decreto do presidente dizendo que existe um grupo de trabalho para implantar. Nossa estratégia é implementar o software livre sem ficar preso a nenhuma empresa ou solução específica.
Geek – Qual tem sido a maior dificuldade?
Amadeu – A grande dificuldade é cultural, não é técnica. É o que chamo de aprisionamento em soluções proprietárias. A reserva de mercado que existia para software proprietário era pesada no governo federal. O maior problema é mudar a cultura de desenvolvimento e uso.
Geek – Como vai ser o processo de migração do governo federal?
Amadeu – Os principais órgãos já aderiram à política de software livre. O processo de migração vai acontecer em três etapas. Primeiro, libertando as estações de trabalho, ou seja, os computadores que serão colocados nas escolas vão ser entregues com software livre da solução proprietária. Você coloca software livre nas máquinas. Se um Ministério vai comprar, ele não precisa comprar licença. O segundo passo é definir que os novos desenvolvimentos sejam feitos preferencialmente em software livre, o que nem sempre é possível, porque existe um legado, uma herança. Muitas vezes você tem de renovar ou criar uma solução em um universo proprietário. Por fim, migrar os sistemas estruturados que impeçam esses dois passos.
Geek – Como serão as licitações quando todo o governo tiver migrado?
Amadeu – Vai ser muito parecido com o que existe hoje, com uma vantagem enorme para o país e o governo, que vai receber o código-fonte e uma licença com quatro liberdades e uma restrição. O governo vai poder usar o programa para qualquer fim, estudá-lo completamente, alterá-lo e redistribuí-lo. A restrição é que toda e qualquer alteração não poderá suprimir as liberdades anteriores. Com o código-fonte, você fica independente de qualquer fornecedor. As licitações serão multiplataforma, com licença GPL, e o governo terá a documentação do código-fonte das soluções que compra.
Geek – O programa do Imposto de Renda pode ter código aberto?
Amadeu – Eu acho que não há problema algum. Por que haveria? Se é código aberto, durante o período em que ele não é muito utilizado, uma comunidade pode fazer o debugging [analisar e corrigir erros de um programa] desse sistema, porque, quando você faz um sistema em código aberto, ele tem que ser um sistema robusto. Não é só o cracker que vai saber das falhas.
Geek – Como fica a questão do direito autoral em tempos de software livre?
Amadeu – O software livre enfrenta os piratas. Porque piratas são eles, os que estão à procura do ouro. Na verdade, o software livre deveria ser de domínio público, mas não é. Software livre só existe porque há o direito autoral. A gente defende o direito autoral, só que como um copyright invertido. O software livre se baseia no copyleft, no deixar copiar, que é o hackeamento do copyright. Tudo que o copyright proíbe, o copyleft autoriza. Tudo que o copyright autoriza, o copyleft proíbe.
Geek – O governo americano se manifestou de alguma forma em relação à opção brasileira pelo software livre?
Amadeu – O Brasil é contra a patente do software. Essa é uma questão muito cara à diplomacia brasileira, e nós deixamos claro aos americanos que um algoritmo não pode ser alvo de patente. Patente é um bem industrializável, reprodutível em escala e não uma solução de um conjunto de rotinas lógicas. Por isso, eu acho que as principais batalhas do século XXI serão em torno da propriedade das idéias. Num encontro em Genebra, eu disse que o Brasil quer ter o mesmo direito que os Estados Unidos de usar o software livre. Nos EUA, são empregadas soluções livres nos servidores da Casa Branca, no FBI, na Nasa, no MIT. E o representante americano disse que não tinha nenhuma crítica quanto a isso, que era um direito brasileiro.
Geek – Há algum caso em que o governo teria ficado preso a uma solução proprietária?
Amadeu – Existe um programa de emissão de chaves criptográficas no ITI, do qual nós não temos o código-fonte. Assim, temos muita dúvida se o sistema faz o que ele diz fazer, porque eu não tenho como auditar. Além do mais, a empresa que desenvolveu o sistema faliu. Assim, o ITI está criando uma nova solução em parceria com a Marinha, o ITA, a Universidade Federal de Santa Catarina, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a Abin (a agência brasileira de inteligência).
Geek – O governo planeja fazer alguma distribuição Linux?
Amadeu – Nossa idéia não é essa, porque seria bastante complicado. Nós não optamos por apenas uma distribuição, usamos as mais aceitas pelos técnicos. Nossos aplicativos rodam em qualquer distribuição.
Multas pesadas para quem envia spam
09/01/08
Finalmente parece que uma antiga prece minha e de todo mundo que tem email será atendida pela justiça brasileira, punição para spammers!
O que é um spammer? É aquele indivíduo ou organização que envia mensagens eletrônicas não solicitadas, isto é, enviadas por e-mail ou outro procedimento sem prévia autorização do remetente.
Mas Plínio, eu sou um spammer e preciso vender os meus alongadores penianos! Porque tanto rancor?
Existe coisa mais irritante do que abrir o email pela manhã e passar horas garimpando emails importantes no meio de todo spam que recebemos? Até oferta de órgãos humanos para estudos eu já recebi por email. Os caras da medicina devem achar isso lindo, fígado delivery!
O pior é que os caras são insistentes e não se contentam em enviar apenas uma mensagem. A pessoa recebe um spam, lê e apaga, mas quando ela começa a receber dez mensagens iguais a primeira todos os dias, desenvolve um ódio mortal do remetente.
A proposta de punição para os spammers é a aplicação de multas, caso a Câmara dos Deputados aprove o Projeto de Lei 1227/07, do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO). Os spammers pagarão uma multa de até 200 reais por mensagem eletrônica comercial não identificada ou mensagem não solicitada enviada em desacordo com as exigências da lei. O envio de uma mensagem eletrônica a destinatário que tenha optado por não recebê-la também será multado em até 200 reais.
Além disso, a mensagem deverá conter um endereço válido para resposta e oferecer um procedimento claramente identificável para que o destinatário opte por não receber outras mensagens do remetente. Uma mensagem eletrônica não solicitada poderá ser enviada uma única vez, desde que atenda a essas exigências.
Os provedores de acesso a redes de computadores serão obrigados a manter recursos que possibilitem aos usuários identificar, bloquear e optar por não receber mensagens eletrônicas não solicitadas. Caso o provedor deixe de oferecer esses recursos, será multado em até 500 reais, com acréscimo de um terço desse valor (165 reais) na reincidência.
O projeto tramita em conjunto com o PL 2186/03, que já foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. As propostas serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para o Plenário.
Outra coisa que eu acho que também merece punição é a venda de endereços de email. Recebo diariamente dezenas de ofertas de “pacotes” do tipo: ferramentas para se tornar um spammer.
O cara vende um software que envia mensagens em massa (milhares por minuto, segundo ele) e que ainda vem acompanhado de uma lista com milhões de endereços válidos, divididos por regiões do Brasil. A vontade é de contactar quem vende esses endereços e depois de descobrir sua origem, entregá-lo para a polícia.
Um estudo dos principais provedores de internet mundiais diz que 40% a 60% de toda banda de transferência de dados do mundo é ocupada pelo envio e recebimento de spams. Você nunca imaginou que as enormes correntes que você manda por email para todo mundo poderiam causar tantos problemas, né?
Um ótimo site sobre spams é o do Comitê Gestor da Internet no Brasil, vale a pena visitar.
